Frases
1
“A melhor forma dos emigrantes ajudarem Cabo Verde é sendo bons cidadãos nos países de acolhimento”
afirmação do Ministro Victor Borges no encontro com os líderes das organizações cabo-verdeanas em Roterdão- Holanda, Fevereiro de 2005.
2
Ai avortagem da fome
Levando vidas e tristezas
Das sementeiras perdidas
Ai o drama da chuva…
3
(Canta con alma, sem ser magoado)
Arménio Vieira
Céu é grandi, mundo é largo
Alto é monti picu ‘Ntoni
Bo dor câ tem comparaçon
Na mei’ di fúria bento lesti
Teteia bai pâ nunca más
Terra-longi di San Tomé
Nha Cumá, Toti Cadabra
Curti mundo d’amargura
Toca cimboa, rapica tamboro
Canta con alma, sem ser magoado
‘Squêce vapor, s’quêce distância
Finca bop é na terra firmi
Rumo di mar é sina tristi
Bo caminho é tchom di Caoberdi
Nho Nacho flâ ali bêm tempo
Qui midjo tâ dâ sem mêste tchuba
Vontadi d’omi é sima Deus
Coraçom forti câ dêbe tchora
Toca cimboa, rapica tamboro
Canta con alma, sem ser magoado
4
“Partida é dor ma tristeza
Ma si ca bado, ca ta virado”
Regresso é um antipartida
É um conclusão desejada
Voltá é vrá costa pa pasàrgada
Na reconquista d’sê terra querida
Na vastidão dese planeta
Tcheu já nô viajá
Na nôs maleta tem, doce e margosse
Embrulhode na papel d’nôs experiença
Nô tem enc’menda pa partilhà
Pa cada irmon se pontinha d’esperança
Conchê mundo é parte d’nós aventura
Já que d’tude manera el é nôs sina
Emigração é migração d’nós alma
Pa sala d’espera di regresso
Teófilo Chantre
E Chiquinho falou: meu filho, sem partida não há regresso.
Depois e entretanto eu soube
Chiquinho estava construindo no Alto da Horta uma casinha,
Igual àquela
Que ele deixou
Quando a falta de chuva o empurrou
Para longínquas terras dolorosa morte.
Quando a falta de chuva o empurrou
Para longínquas terras dolorosa morte.
Gabriel Mariano
Caboverdiano irmão emigrante
Homem de mares e fábricas
Combatente e poeta
É tempo de regressar
Foste riqueza a explorar
Matéria viva a sangrar
Como o Sol, o Porto e o Mar
O que ainda nos faz pensar
Abandonado num porto qualquer
Sucumbindo de frio numa barraca
Morrendo sob o trabalho negro
Para ser semente da liberdade
A carta de amor que não chegou
A notícia da morte da mamãe
A impossibilidade de regressar
Só tu e eu sabemos compreender
Quando o dinheiro não chegou
Trataram-te de mau filho
As tuas cartas sofridas
Rejeitadas
Lançadas ao acaso nas achadas.
Só eu e tu irmão sabemos
O que exprime a dor deste violão
São notas e revoltas consulidas
Que é preciso vivê-las
Para as compreender
Deste exílio nem a palavra te deram
És sempre o emigrante
Que direitos nenhuns
Tem no Mundo.
Autor: Luiz Silva
Aos valentes marinheiros
Cabo-verdianos
Holanda companheiros
Chegámos
Chegámos com barcos guildas nos olhos e desejo de vencer
Chegámos intermináveis e actuais às docas
Betão aço cargueiros e braços precisados
Chegamos numa dimensão nova
(ah as roças de S.Tomé serviçal meu irmão)
E pusemos todo o nosso esforço
Lubrificamos máquinas
Alimentamos caldeiras
Navegámos por oceanos de fogo e fiordes de gelo
Mas foi nos mares da terra nova
No tempo em que Boston a América mandava seus barcos baleeiros
Para nos contratar
Que ganhámos o bronze da nossa pele
The Best Sailors of the World
Sob bandeiras estrangeiras brigámos guerras que não eram nossas
Para agora amarmos ao ritmo de torno novo
E múltiplas bocas ao nos verem dizem
Let them get by
Chegámos às docas companheiros
Nas docas com barcos guildas nos olhos e nossa terra no nossos sonhos
Chegámos intermináveis para o match
E pusemos todo o nosso esforço na luta
Pusemos esperança na nossa força de trabalho
E quando nos vêem chegar dizem
Let them get by
Aqui ou ali passaremos sempre porque chegámos companheiros
A esperança transformada em actos nos nossos punhos
A seca o sol o sal o mar a morna a luta o luto
Ao nos verem passar dizem que ultrapassaremos os sonhos
E o match é em nossa terra que vai terminar
Osvaldo Osório
Já não há bois!
O trapiche queda silencioso
E na fornalha
Já falha
O bulício
Dos grandes dias da “pila”.
O trapiche queda silencioso!
Não há mais voltas
De bois na canga,
Já não se sente o cair
Da calda na celha,
Nem o cheiro do mel quente,
A fomegar no “cobre”.
Não há,
Há muito,
Calda azeda
A frementar na pipa,
Nem o grogue
A lacrimejar na serpentina.
O trapiche queda silencioso!
Os bois já não pucham a canga.
Já não há mel,
Já não há grogue
Porque a água faltou
E o caniçal secou.
Ressaca, João de Deus Lopes da Silva